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Não tenho cama, televisão, geladeira ou fogão: saiba por que é bom viver sem móveis e utensílios na casa.
Não tenho cama nem televisão e nem sempre tenho geladeira ou fogão. Até sem wi-fi eu vivo porque o excesso de conforto está matando a gente e eu quero viver bem!
Reflito neste artigo sobre os prós e contras de viver sem móveis na casa pelo estilo de vida conhecido como “minimalismo extremo”, mas que chamo apenas de essencialismo.
Quando não alugo casas mobiliadas, preciso improvisar objetos que são doados ou vendidos quando decido mudar.
Desde 2016 que minha felicidade se resume ao estilo de vida minimalista — do “quanto menos, melhor”.
Inicialmente por falta de dinheiro para comprar móveis, todos os apartamentos ou casas que alugo hoje são livres de móveis por escolha — às vezes sem geladeira nem fogão!
Quando aprendi como viajar só com uma mochila, eu não tinha grana para alugar casas mobiliadas e nem sempre descolava hospedagens com os eletrodomésticos que a maioria das pessoas julga ser “necessário” para viver “confortavelmente”.
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O uso de aspas é importante porque em vez de me endividar para viver como todo mundo vive, aprendi que:
Quando você não tem uma cama confortável para desperdiçar a vida maratonando séries e filmes, tanto o corpo quanto o tédio pedem por movimentação.
Viver sem móveis e utensílios na casa faz com que você queira:
Consigo viver sem móveis e utensílios na casa porque descobri que já tenho o essencial para uma boa vida: mobilidade.
É um caso exemplar de como o ambiente molda o nosso comportamento:
Hoje, mesmo podendo pagar por aluguéis mobiliados e hospedagens completas, prefiro alugar espaços vazios durante minhas viagens como nômade digital porque sei o que não sabia antes:
Quando não há excesso de conforto nos prendendo em casa, sair ou se exercitar se tornam opções tentadoras.
Além de não ter o conforto de me jogar no sofá para assistir um filme nos dias chuvosos, o maior problema de viver sem móveis e utensílios na casa é o fator social.
Convidar amigos, familiares, e principalmente um par romântico, não faz o menor sentido quando você não tem:
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Já que eu prefiro sair para encontrar as pessoas na rua, as soluções que encontrei para esses contras foram simples:
Um colchonete de 3mm substitui a cama, a mesa, e exige movimentação constante: um sinônimo de saúde.
A Dr. Katy Bowman, especialista na movimentação do corpo humano, escreveu um livro que ainda influencia minha escolha de viver sem móveis e utensílios na casa: “Move Your DNA” (disponível apenas em inglês).
“Move Your DNA” fala sobre como a movimentação vai além do hábito de se exercitar, sendo essencial para manter o organismo saudável por inteiro.
Com o advento do conforto que nos mantém fixos na mesma posição por horas a fio, uma das soluções propostas pela própria Katy Bowman acaba sendo viver sem móveis e utensílios na casa.
Assim nasceu o “Movimento do Movimento” — de pessoas que escolheram viver sem móveis e utensílios na casa para manter a saúde em vez do conforto proveniente da busca por status ou consumo.
A própria Katy Bowman mantém um blog em inglês chamado Nutritious Movement no qual ela publica as aventuras e benefícios de viver sem móveis e utensílios na casa.
Dois dos meus artigos favoritos de lá são:
Nem sempre fui minimalista: acumulações disfarçadas de decorações e coleções assombravam meu passado.
Todos que me ouvem falar sobre como durmo sem cama ou como vivo bem sem fogão e geladeira acham que nasci assim ou que levo esse estilo de vida por falta de grana.
Viver o estilo de vida minimalista extremo significa que acostumei a:
A verdade é que hoje eu vivo assim por opção, pois no passado eu era um jovem acumulador que usava os objetos como fontes de conforto para disfarçar:
Isso se expressava na necessidade de criar um universo cheio de personalidade dentro do quarto.
As coleções de objetos funcionavam como barreiras para me defender da tristeza durante os períodos de dificuldade emocional — que eram constantes.
Acumular todo tipo de tranqueira, de roupas a revistas velhas, era um jeito de me distrair dos problemas e manter minha identidade intacta dentro da tempestade existencial que era meu convívio social e familiar.
A decoração mudava de meses em meses e era uma arma contra o pavor que eu sentia do afastamento das pessoas por causa do meu humor melancólico e inconstante.
As coisas me traziam a segurança que meus pais não deram, o conforto que ninguém pôde oferecer, e satisfazia por fora a necessidade que eu sentia de mudar por dentro.
Viver sem móveis e utensílios na casa ensina que grandes prazeres são simples, como uma HQ digital com café.
A falsa segurança trazida pelo acúmulo de objetos começou a virar um peso nas minhas costas quando entrei na vida adulta.
Ao ficar ainda mais deprimido por não mudar o que realmente precisava de mudança — meu estado emocional — decidi buscar um jeito de me libertar do passado: me desfazer das coisas que mantinham minha identidade em cativeiro.
Nessa época, surgiam no Pinterest as primeiras imagens de minimalismo usado como decoração.
Ambientes espaçosos, iluminados, arejados e aconchegantes pularam na minha cara — e eu soube que era essa “liberdade” que eu queria no meu quarto!
Foi aí que meu essencialismo começou: trocando uma decoração boêmia por um estilo minimalista que excluía tudo que “pesava” no ambiente.
Ano após ano, o que era só um fetiche estético se tornou um exercício saudável de desapego regular: tudo que não servia na prática do dia a dia, ia para o lixo ou para a pilha de doações.
Quando descobri a partir disso que há duas formas de ficar rico — fazendo mais dinheiro ou precisando menos das coisas — decidi precisar menos das coisas.
Tudo que tenho cabe na mochila: o que sobra é liberdade, saúde, paz de espírito e dinheiro na conta.
Apenas com os itens que carrego na mochila, consigo viver e trabalhar confortavelmente de qualquer lugar.
Investir em experiências em vez de colecionar objetos me aproximou do jeito que eu sempre quis viver, mas que ainda não sabia que era possível — a não ser que eu fosse um milionário!
Mesmo que eu me sentisse uma pipa avoada no início, sem ter um lugar fixo para “cair morto”, a independência que conquistei ao discernir o que é realmente é necessário do que apenas parece importante, devolveu meu controle sobre a vida.
Para que ter pressa em decidir por um lugar para “cair morto” se posso continuar vivo e em movimento para descobrir um local no qual eu queira pertencer futuramente?
Para que gastar meus dias vendo filmes e séries sozinho se posso passar minhas tardes passeando pelos parques ou fazendo novos amigos pelas noites das cidades brasileiras?
O contraste de como eu era para como vivo hoje parece uma escolha radical, mas é o resultado de anos:
Um dia terei uma casa com móveis e utensílios, mas até lá eu continuarei cultivando a liberdade física de conhecer diferentes locais e culturas só com o que posso levar na mochila.
Justamente para quando a oportunidade de assentar chegar — ou quando meu corpo não aguentar se movimentar fisicamente — eu saber exatamente qual região ou comunidade quererei chamar de “lar”.
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